quinta-feira, 4 de junho de 2009

DIZER ADEUS: CORAGEM OU COVARDIA?

Coragem e covardia
Nos visitam todos os dias
De conceitos distantes
Próximos e frágeis limites

Coragem...
Para ser melhor que antes
Responder perguntas inquietantes

Covardia...
Fazer a escolha conveniente
Apenas ser paciente

Nessa vida tudo passa.
Amor, carinho, raiva, vingança

Coragem...
Para dizer adeus,
Não te levo entre os meus!

Covardia...
Virar as costas
Sem despedidas, sem notas?

Depois de algo feito,
Só o perdão pode dar jeito
Somos capazes de tal ato?

Coragem...
É levar comigo
As conseqüências dos fatos
Do que um dia foi compartilhado

Coragem ou covardia
Assumir sem lutar...
Fugir com valentia
Seja o que for
Não foi amor
Foi um instante de rebeldia

Portanto, sem remorsos
Do passado me despeço
Digo adeus, com a minha coragem
Para mim nenhuma pena,
Nada preciso, nem peço.

E assim, apenas silêncio, é tudo o que faço....

DILEMAS ÍNTIMOS

Na consciência temos guardado
A diferença de certo e errado
Atitudes, escolhas, dilemas
Reviravoltas, por um ato apenas

Erramos com maestria
Concertamos em rebeldia
Algoz com postura de vítima
Transformando a vítima em algoz

Desculpamos nossos erros
Vangloriamos-nos dos acertos
Culpamos os magoados
Justificando não sermos amados

Buscamos fora
O que deveria estar no íntimo
Um amor que foi embora
Aquele...que achávamos infinito

Pela própria felicidade
Que devemos decidir...
Por novo amor, o antigo ferir?
Ou não partir...
Permanecer e ser infeliz...

Perguntemos-nos então
O que nos pede o coração
Se entende este a razão
De tanta indecisão...

DEVERIA SER, MAS NÃO É...

Deveria saber amar
Ainda que não fosse amada
Ainda que não fosse gratificante
Ainda que não fosse reconhecida...

Deveria saber amar
Mesmo que não seja valorizada
Mesmo que não seja mais presente
Mesmo que não seja desejada...

Deveria saber amar
Até quando for abandonada
Até quando for estressante
Até quando for magoada...

Deveria saber amar assim
Mas meu amor é egoísta:
Quer que frio sintas
Assim eu te abrigo.
Quer que de chuva te molhes
Assim eu te seco.
Quer que fome tenhas
Assim eu te alimento.
Quer que sedento estejas
Assim eu te sacio.
Quer que percebas
O quanto me precisas...

Deveria saber amar assim
Mas o que eu não sabia
É que através de ti aprenderia!

CHUVA MINHA

No céu de nuvens cinzas
Se forma um formato diferente
Parece corpo de gente
Reconheço cada recanto
É você, para meu espanto!

Flutuam elas ao sabor do vento
Às vezes rápido, às vezes lento
Viajando pelo infinito
Será desatino
Essas coisas que imagino
Quero você, não minto
Tento segui-lo
Mas não consigo...

Deixo que levem consigo
Todas as minhas saudades
Que se alimentem de minhas vontades
Carregadas de ansiedades
E que de tão cheias transbordem
Gotejando desejos
Tocando meus lábios
Como se fosse teu beijo.

Me visitas mais intensamente
Nessa chuva torrente
Se ela também é você
Dela não me protejo
Quero molhar-me, de ti ensopar-me
Recebo-te de braços abertos
Sinto-te cada vez mais perto
Por cada gota tua
Meu corpo é coberto
O que um dia foi deserto
Não mais é solitário
Agora é por ti habitado

Sigo nessa sublime dança de alma nua
Com estranheza me olham pela rua
Se perguntam quem é essa louca
A tomar chuva pela boca
Eu sei o que ninguém sabe...
É que estou matando minha sede de você!

BRINCADEIRAS DE ADULTO

Resquícios da velha infância
Para alguns, boa lembrança
Aquelas brincadeiras de criança
Pique-esconde, passa aliança...

Hoje, são adultos infantis
Brincando de esconder sentimentos
Disfarçando intenções vis
Preocupados em viver o momento

Adultos que fingem ser o que não são
Sem conseguir manter a coerência
Inventando personagens de coração
Divertindo-se da alheia carência

Adultos que colecionam troféus vivos
Passando adiante verdades momentâneas
Muitas histórias a contar para os amigos
Dessa passageira paixão instantânea

Adultos que negociam promoção
Namorada ainda não!
Sem constrangimentos, amiga
Um acordo, sem briga

Adultos perdidos em suas vontades
Astros e estrelas cheios de mimos
Meros desconhecidos com identidade
Antes aliados, futuros inimigos

Entre jogos de conquista e sedução
Como gato e rato, polícia e ladrão
Brincando de roubar coração
O resultado? Alguém na solidão...

Altas! Não quero ser participante
Desse jogo que nunca dá empate
Prefiro deixar de ser adulto que mente
Para de novo brincar como criança inocente......

DOCE MADRUGADA

Ah! Doce madrugada... que em teu silêncio muito é dito antes do amanhecer. Nem tudo resite ao calor sol que aquece e ao mesmo queima se nos descuidardos nos seus raios.

Ah! Doce madrugada... que suavemente vai envolvendo o que restou da noite. Noite que trouxe as lembranças do dia que passamos a fazer coisas sem pensar ou até pensamos demais e nada fizemos.

Ah! Doce madrugada... que de onde estou refresca o corpo e as idéias. Entre amigos esclarecemos nossas dúvidas e divimos ânseios.

Ah! Doce madrugada... a ti entrego meus segredos que estavam guardados a 7 chaves, mas se entrega ao olhar da Lua.

Ah! Doce madruga... tu que es testemunha de tantos sonhos perfeitos, finais "inesperados" e felizes para sempre. Como se a vida pudesse ser vivida nos momento felizes de um sonho!

Ah! Doce madrugada... em que amantes despertam com o doce sabor de amar ainda na boca. Sentimento saboreado com prazer e com sede de mais amar.

Ah! Madrugada... sei que também podes ser fria, solitária, desfazer romances, descobrir inimigos, trocar os eleitos, dissipar ilusões!

A essa madrugada peço que não passe por mim, nem do outro lado do mundo! Que eu esteja acordada ou dormindo, mas que seja com a doce madrgada e junto de quem quero bem! Que isso baste a todos os corações que passeiam por tuas horas!

ABUSO DE PODER

Este é meu basta
De mim nada gastas
Em meu peito estás recluso
Tua sedução recuso
Não mais aceito teu abuso

Quem te deu tal poder
De saber o que vou dizer
Antes que eu o diga?

Quem te deu tal poder
De não me deixar esquecer
O que sinto por você?

Quem te deu tal poder
De frear meu ímpeto
Num gesto intimo?

Quem te deu tal poder
De não me deixar ir
Mesmo sem estar aqui?

Quem te deu tal poder
De que a ti não me negue
Dominada por um beijo leve?

Quem te deu o poder
De conhecer meu desejo
Escondido em meu silêncio?

Quem te deu tal poder
De ler minha alma
Assim dessa forma?

Quem te deu tal autoridade?
Eu sei...
Fui eu, meu sentimento e minha vontade...