quinta-feira, 4 de junho de 2009

DIZER ADEUS: CORAGEM OU COVARDIA?

Coragem e covardia
Nos visitam todos os dias
De conceitos distantes
Próximos e frágeis limites

Coragem...
Para ser melhor que antes
Responder perguntas inquietantes

Covardia...
Fazer a escolha conveniente
Apenas ser paciente

Nessa vida tudo passa.
Amor, carinho, raiva, vingança

Coragem...
Para dizer adeus,
Não te levo entre os meus!

Covardia...
Virar as costas
Sem despedidas, sem notas?

Depois de algo feito,
Só o perdão pode dar jeito
Somos capazes de tal ato?

Coragem...
É levar comigo
As conseqüências dos fatos
Do que um dia foi compartilhado

Coragem ou covardia
Assumir sem lutar...
Fugir com valentia
Seja o que for
Não foi amor
Foi um instante de rebeldia

Portanto, sem remorsos
Do passado me despeço
Digo adeus, com a minha coragem
Para mim nenhuma pena,
Nada preciso, nem peço.

E assim, apenas silêncio, é tudo o que faço....

DILEMAS ÍNTIMOS

Na consciência temos guardado
A diferença de certo e errado
Atitudes, escolhas, dilemas
Reviravoltas, por um ato apenas

Erramos com maestria
Concertamos em rebeldia
Algoz com postura de vítima
Transformando a vítima em algoz

Desculpamos nossos erros
Vangloriamos-nos dos acertos
Culpamos os magoados
Justificando não sermos amados

Buscamos fora
O que deveria estar no íntimo
Um amor que foi embora
Aquele...que achávamos infinito

Pela própria felicidade
Que devemos decidir...
Por novo amor, o antigo ferir?
Ou não partir...
Permanecer e ser infeliz...

Perguntemos-nos então
O que nos pede o coração
Se entende este a razão
De tanta indecisão...

DEVERIA SER, MAS NÃO É...

Deveria saber amar
Ainda que não fosse amada
Ainda que não fosse gratificante
Ainda que não fosse reconhecida...

Deveria saber amar
Mesmo que não seja valorizada
Mesmo que não seja mais presente
Mesmo que não seja desejada...

Deveria saber amar
Até quando for abandonada
Até quando for estressante
Até quando for magoada...

Deveria saber amar assim
Mas meu amor é egoísta:
Quer que frio sintas
Assim eu te abrigo.
Quer que de chuva te molhes
Assim eu te seco.
Quer que fome tenhas
Assim eu te alimento.
Quer que sedento estejas
Assim eu te sacio.
Quer que percebas
O quanto me precisas...

Deveria saber amar assim
Mas o que eu não sabia
É que através de ti aprenderia!

CHUVA MINHA

No céu de nuvens cinzas
Se forma um formato diferente
Parece corpo de gente
Reconheço cada recanto
É você, para meu espanto!

Flutuam elas ao sabor do vento
Às vezes rápido, às vezes lento
Viajando pelo infinito
Será desatino
Essas coisas que imagino
Quero você, não minto
Tento segui-lo
Mas não consigo...

Deixo que levem consigo
Todas as minhas saudades
Que se alimentem de minhas vontades
Carregadas de ansiedades
E que de tão cheias transbordem
Gotejando desejos
Tocando meus lábios
Como se fosse teu beijo.

Me visitas mais intensamente
Nessa chuva torrente
Se ela também é você
Dela não me protejo
Quero molhar-me, de ti ensopar-me
Recebo-te de braços abertos
Sinto-te cada vez mais perto
Por cada gota tua
Meu corpo é coberto
O que um dia foi deserto
Não mais é solitário
Agora é por ti habitado

Sigo nessa sublime dança de alma nua
Com estranheza me olham pela rua
Se perguntam quem é essa louca
A tomar chuva pela boca
Eu sei o que ninguém sabe...
É que estou matando minha sede de você!

BRINCADEIRAS DE ADULTO

Resquícios da velha infância
Para alguns, boa lembrança
Aquelas brincadeiras de criança
Pique-esconde, passa aliança...

Hoje, são adultos infantis
Brincando de esconder sentimentos
Disfarçando intenções vis
Preocupados em viver o momento

Adultos que fingem ser o que não são
Sem conseguir manter a coerência
Inventando personagens de coração
Divertindo-se da alheia carência

Adultos que colecionam troféus vivos
Passando adiante verdades momentâneas
Muitas histórias a contar para os amigos
Dessa passageira paixão instantânea

Adultos que negociam promoção
Namorada ainda não!
Sem constrangimentos, amiga
Um acordo, sem briga

Adultos perdidos em suas vontades
Astros e estrelas cheios de mimos
Meros desconhecidos com identidade
Antes aliados, futuros inimigos

Entre jogos de conquista e sedução
Como gato e rato, polícia e ladrão
Brincando de roubar coração
O resultado? Alguém na solidão...

Altas! Não quero ser participante
Desse jogo que nunca dá empate
Prefiro deixar de ser adulto que mente
Para de novo brincar como criança inocente......

DOCE MADRUGADA

Ah! Doce madrugada... que em teu silêncio muito é dito antes do amanhecer. Nem tudo resite ao calor sol que aquece e ao mesmo queima se nos descuidardos nos seus raios.

Ah! Doce madrugada... que suavemente vai envolvendo o que restou da noite. Noite que trouxe as lembranças do dia que passamos a fazer coisas sem pensar ou até pensamos demais e nada fizemos.

Ah! Doce madrugada... que de onde estou refresca o corpo e as idéias. Entre amigos esclarecemos nossas dúvidas e divimos ânseios.

Ah! Doce madrugada... a ti entrego meus segredos que estavam guardados a 7 chaves, mas se entrega ao olhar da Lua.

Ah! Doce madruga... tu que es testemunha de tantos sonhos perfeitos, finais "inesperados" e felizes para sempre. Como se a vida pudesse ser vivida nos momento felizes de um sonho!

Ah! Doce madrugada... em que amantes despertam com o doce sabor de amar ainda na boca. Sentimento saboreado com prazer e com sede de mais amar.

Ah! Madrugada... sei que também podes ser fria, solitária, desfazer romances, descobrir inimigos, trocar os eleitos, dissipar ilusões!

A essa madrugada peço que não passe por mim, nem do outro lado do mundo! Que eu esteja acordada ou dormindo, mas que seja com a doce madrgada e junto de quem quero bem! Que isso baste a todos os corações que passeiam por tuas horas!

ABUSO DE PODER

Este é meu basta
De mim nada gastas
Em meu peito estás recluso
Tua sedução recuso
Não mais aceito teu abuso

Quem te deu tal poder
De saber o que vou dizer
Antes que eu o diga?

Quem te deu tal poder
De não me deixar esquecer
O que sinto por você?

Quem te deu tal poder
De frear meu ímpeto
Num gesto intimo?

Quem te deu tal poder
De não me deixar ir
Mesmo sem estar aqui?

Quem te deu tal poder
De que a ti não me negue
Dominada por um beijo leve?

Quem te deu o poder
De conhecer meu desejo
Escondido em meu silêncio?

Quem te deu tal poder
De ler minha alma
Assim dessa forma?

Quem te deu tal autoridade?
Eu sei...
Fui eu, meu sentimento e minha vontade...

AFRODISÍACO

Cada um tem sua receita, cada qual o seu gosto
O ambiente é própria sugestão
A música que acende o instinto
Os corpos a refletir o desejo da mente
O paladar a espera de saborear
Os olhos que vêem os segredos da alma
O perfume que exala a intimidade do ser
Cada ingrediente em sua combinação perfeita,
Na medida exata, tudo no tempo certo
Não há como errar o resultado
Provo-te aos poucos, a reconhecer meu território
Tu tens na saliva meu sabor preferido
Teu cheiro meu predileto
Teu olhar no meu tudo diz sem palavras
Tua respiração me dá o ritmo
Nossos contornos num encaixe perfeito
Sensualidade a flor da pele
Sedução em cada ato...
Indiscutivelmente tu és meu afrodisíaco!

BRAÇOS E ABRAÇOS

Perfeito espaço,
É esse entre teus braços
Onde perfeitamente me encaixo
De um lado a outro, de cima a baixo.
Neles me perco e me acho
Juntos somos uva e cacho
Teus, meus, nossos abraços.
Ramos entrelaçados.

AMOR SEM TÍTULO

Tocar a sua boca,
Sentir os seus segredos
Aqueles mais secretos
Ouvir-te pedir coisas loucas
Quero teu controle discreto!

Um beijo pode ser excitante,
Porém sem sentido...
Se não vem de você
Um beijo pode ser ardente,
Ato bonito de se ver
Mesmo de olhos fechados!

Não temos rótulos
Não somos amantes
Não temos títulos
Não somos namorados
Não temos lugar
Estamos dentro
Um do outro

Por quanto tempo?
Qual nosso destino?
Teremos futuro?
São só perguntas
Razão de insegurança

Certeza é só o momento
Meu sentimento é esperança
Mas se tudo perder
Penso com minha solidão
Tive amor
Ao menos por um instante ...

TUDO NA HORA CERTA

Aprendemos desde que começamos a nos entender como gente, que tudo tem sua hora. Hora de mamar, de acordar, de comer, de dormir. Hora de tomar banho, hora de ir para escola, hora de fazer o dever. Certamente a disciplina é algo que devemos ter para que a nossa vida ande dentro de um certo padrão sociável ou pelo menos que se adapte à generalidade. Seria uma luta insana mudar os horários de tudo por uma necessidade particular. Isso faz parte de aprender a conviver em sociedade, com pessoas que fazem as mesmas coisas de maneira diferente ainda que seja na mesma hora. Aprendemos a conviver com individualidades, com algo em comum.
Só que com isso, aprendemos também que se o normal é determinada postura, quando algo nos acontece de maneira inesperada, não estamos preparados para lidar com a nova situação. Por exemplo, por toda a vida o almoço foi servido ao meio-dia e temos até as duas horas da tarde para desfrutá-lo, assim é para quem trabalha fora. Caso o almoço atrase, já começamos a nos preocupar por vermos o nosso tempo de descanso diminuir, pois nessa espera nosso estado é de ansiedade e não de descanso, causando-nos inclusive desconforto e até irritação. Sair da normalidade é inconveniente para nós. Todos esses hábitos se incorporam a nossa personalidade e passam a fazer parte integrante de nosso comportamento e consequentemente irá afetar a forma como nos relacionamos com as pessoas.
Frequentemente vivemos momentos em que justificamos nossa dificuldade em tomar decisões, por ter nos acontecido determinado fato na hora errada. Filhos podem ser teoricamente planejados. Provavelmente não o dia exato, a não ser que seja uma cesariana. O sexo do bebê pode ser “escolhido” através de métodos científicos com dados calculados a partir do período ovulatório; temperatura corporal; dosagem de hormônios; plano astral e até a influência da lua. Às vezes funciona... Às vezes não é bem assim. O universo tem um plano próprio sob o qual não temos domínio algum. Mas quando funciona; os pais esperam que seja uma menininha fofinha, que cresça gostando de cor-de-rosa, brincar de boneca, estude com dedicação, que tenha trejeitos femininos e traços delicados. De um menino, se espera que seja encorpado, assim as mães podem se orgulhar de compará-lo com outros da mesma idade, demonstre habilidades futebolísticas, passar na média é suficiente, que não tenha trejeitos delicados, seja cortejado podendo ser “espertinho” e com masculinidade a toda prova. Mas e se o inverso acontecer? E se a doce menina tiver um comportamento de “João”? Ou se meninão demonstra gostar de atividades mais femininas? O caos está estabelecido! Começa então a inquietante busca por explicações e psicólogos. Sem respostas biológicas que comprovem o fato, os pais como a se perguntar: _ Onde foi que eu errei? - A inquisição é armada até que o culpado seja encontrado, devidamente julgado e condenado. E todo aquele belo e perfeito planejamento, cai no esquecimento, a tal hora certa; a orientação seguida a risca; a disciplina inquestionável ainda que absurda...Tudo na hora certa deu errado.
Será que deu errado mesmo? Ou será que apenas, não correspondeu às nossas expectativas? Será que a decepção foi gerada pelo muito que nos dedicamos ou por não aceitarmos o resultado alcançado? Quando o primeiro homossexual assumiu sua opção publicamente e sofreu toda a pressão na proporção da época, foi conseqüência de tê-lo feito na hora errada? Se isso acontecesse nos dias de hoje, talvez as reações fossem mais amenas dependendo do meio, da família, nível social, profissional e etc... Contudo, também seria plausível supor que essa “amenizada” tivesse ocorrido devido ao fato de alguém lá trás ter tido a coragem de se assumir na hora errada? Quando em meio ao torvelinho, diante de uma situação aparentemente devastadora, nos sentimos incapazes de julgar o melhor caminho a seguir. E a verdade, é que estamos momentaneamente incapazes, sem conseguirmos ser imparciais nem justos com tudo e todos a nossa volta. O momento certo, o lugar certo, a hora certa e a pessoa certa tudo ao mesmo tempo, seria esperar perfeição de seres imperfeitos. A perfeição não é uma característica do ser humano, como tal nem saberiam o que significa perfeição, afinal cada um tem seu próprio conceito sobre o assunto. Situações “ideais” reforçam em nós o que nos foi ensinado como o correto; como se aprender não significasse lidar com aspectos diferentes, novas tendências e se tornasse uma mera atualização das antigas tradições. Se cada um tem seu momento certo, sua concepção de perfeito, fazer com que isso funcione em sincronia perfeita seria uma máquina de fazer loucos. Nunca seremos todos felizes simultaneamente, dentro uma mesma situação, sempre alguém sairá magoado, provavelmente outros serão contrariados e pouquíssimos estariam plenamente satisfeitos! Pensemos então que já é hora de admitirmos que a hora certa não é aquela que esperamos que seja e sim a hora em que as coisas acontecem, mesmo que “errada” essa é a hora certa.

O SER HUMANO DOS MARES

Na imensidão de águas que fazem da Terra um planeta azul, talvez seja a causa da fascinação que o ser humano tem pelos mares e rios. Nossos olhos seguem os percursos da correnteza de um rio acompanhando a sábia natureza a contornar pedras. Desviar dos obstáculos que lhe são mais fortes, sem pesar. Passar por cima de outros tantos, sem causar-lhes graves feridas, mas desgastando-os levemente, pouco a pouco, vencendo-lhes a resistência sem usar a força, apenas a perseverança. Respeitando a margem que limita seu caminho, acariciando-lhe as bordas como que agradece a orientação. E lá vai a água, sem olhar para trás em momento algum, um doce grupo de 2 moléculas de hidrogênio e 1 de oxigênio, simplesmente H2O.
Essa fórmula pode também ser mais salgada e estender seu alcance pelo horizonte. A singela obediência das águas dos rios que diluem entre as águas do mar, mesmo sabendo que em algum momento ela retornará ao princípio de tudo e refazer o caminho quantas vezes lhe seja pedido. Nem questiona o mar porque aceitar essa aparente igualdade, misturando-se a ele continuamente sem descanso. Ainda que isso altere o ritmo do bale de suas ondas sendo uma força menor. Assim como o mar é maior do que o rio em volume, tem por trás de si um volume ainda maior, que é o oceano. A estrada líquida e concreta que todas as nossas distantes porções de terra mais distantes.
Tudo vem fortalecer a importância das lições que a natureza nos oferece todos os dias. Ela sustenta nossa vida e ainda nos ensina como conduzi-la. Faz sua tarefa com humildade. Realização silenciosa sem fazer alarde de sua nobre obediência. Nem o oceano sendo ainda maior que os dois primeiros, utiliza seu poder para submetê-los a sua vontade. Tudo funciona em harmonia até com seus habitantes. Harmonia essa, só é desequilibrada por um terceiro agente o mais fraco de todos eles: o ser humano. Ele tem acesso às pesquisas, estudos, avanços tecnológico, mas não se propôs a ser também harmonioso. Os animais, ditos irracionais cumprem melhor o seu papel que os evoluídos homosapiens, considerados “donos do mundo”.
Se quisermos observar algo mais próximo da nossa condição de “seres elevados”, basta olhar para o mar. O mar para nós terrestres sempre representou liberdade. Lindos jardins de corais multicoloridos e um incontável número de espécies a agitar a profundezas do oceano. Sua sociedade é organizada e pacífica o suficiente para provê-los em suas necessidades, portanto, são poucos os que conhecem a superfície, nós é que buscamos por eles. Mas não o golfinho, ele é único, diferente, comunicativo, sociável! Ele trás até nós seu carisma todo especial; sua alegria contagiante hipnotiza a quem quer que perceba sua presença; seu balé de saltos acrobáticos é um espetáculo a parte.
Esses animais selvagens não reagem nem quando atacados pelos civilizados daqui, será que o termo civilizado tem o mesmo conceito nos dois ambientes? Eles também são detentores de uma generosa personalidade capaz de socorrer náufragos. A falta de informações incita tanto a nossa curiosidade que desde os primórdios dos tempos, muitas estórias são inventadas para suprir os mistérios que envolvem esses magníficos mamíferos. Dentro da mitologia grega, contam que quando Poseidom, o Rei do Mar, se apaixonou confiou somente ao golfinho à missão de mensageiro do amor, entre ele e sua amada. Já os marinheiros acreditavam que o fato dos golfinhos fazerem tantas boas ações quanto possível, seria uma forma de desfazer os erros cometidos em outra vida no corpo de homem. Mais um detalhe peculiar, é que diferente de nós, eles agem por conta própria, independentemente, instintivamente percebem a situação interna de outros animais e inclusive do homem. Seu sonar parece captar a sintonia das ondas vibratórias que o outro está emitindo naquele momento, afinal eles emitem 150.000 vibrações por minuto. Procuram se comunicar conosco cordialmente, captam o nosso interior e nós somos mais uma vez incapazes de nos compadecermos do olhar desolador com o qual somos olhados aos capturá-los abruptamente separando famílias e grupos inteiros! O mar de lindo azul passa a vermelho sangue...
Golfinhos ou botos como também são conhecidos, já foram chamados de “vozes do mar” e até de “intelectuais dos mares”, tanta coisa temos para aprender com eles que é provável que uma vida não seja suficiente. Enquanto nós temos colóquios internacionais, governamentais e proteção ambiental. O golfinho em seu sóloquio não depende de leis para nos defender de um tubarão ou colaborar terapeuticamente no tratamento de crianças altistas sem revoltar-se contra seu cativeiro, nada pede em troca, apenas liberdade, pois em liberdade ele já age assim! Há muito mais significado nesses animais do que podemos imaginar, está além da nossa compreensão, toda nossa evolução não nos permite desvendar tudo, talvez não estejamos ainda preparados para tal.
A verdade é que nós não podemos nos colocar como superiores a ninguém, nem a nada. Não há nada ou ninguém com os quais não possamos aprender algo; tampouco que não possamos ensinar as gerações futuras. Dizem que o “tempo não para”, mas a evolução também não. De que adianta passarmos à vida adormecidos, acordando horas, dias, meses, anos depois na ilusão de abreviar o tempo de esforço? Mais uma vez o golfinho nos mostra um domínio cerebral com o qual conseguem paralisar parte do seu cérebro por 8 minutos, enquanto que sem nenhum domínio nós paramos nossas vidas inteiras em 1 minuto! Raras são as exceções dos seres humanos da terra que desenvolvem essas qualidades, sabem aproveitar seu potencial sem mesquinhez alguma, mesmo que com isso não seja ele próprio o único beneficiado. Por tudo isso, são eles merecedores de leis que cuidem para evitar sua extinção, assim como são merecedores do título de “SERES HUMANOS DOS MARES”. Se permitirmos que eles sejam apagados da face da Terra, a próxima espécie a ser extinta pode ser a nossa.

IGUALMENTE DIFERENTES

Olhando de longe, todos os humanos têm geralmente uma cabeça, dois olhos, um nariz, uma boca e provavelmente não será preciso citar o todo o resto, pois que fazemos parte desse mesmo grupo. Isso significa que somos iguais, mas diferentes no formato do resto e cor dos olhos, no comprimento do cabelo, no contorno das pernas, postura e etc. Contudo e por alguma razão essas diferenças fazem mais diferença do que deveriam fazer.
Como se isso não bastasse, existem outras características que podem compor a lista. Sentimentos e atitudes são as mesmas em situações diferentes. Carinho, amor, raiva, ódio e rancor entre muitos outros fazem parte de cada ser, mas são dedicados a pessoas diferentes. Isso não significa que seja recíproco, o mais comum é que sejam desencontrados. Frequentemente, agimos com teimosia criando expectativas para depois chorar lágrimas de crocodilo dizendo que fomos ludibriados, enganados, iludidos...
As atitudes demonstram como tudo isso foi desenvolvido através das vivencias de cada um de nós. Ainda que aparentemente sigamos os mesmos caminhos, chegamos a resultados diferentes de acordo com nossas escolhas. O que nos é comum a outros causa pura estranheza. Nem mesmo o vocabulário é utilizado no tom compreensível a todos. Assim por diante A se torna B e a uma terceira pessoa torna-se ainda C, passando por mais pessoas, formamos mais que o abecedário de diferentes interpretações de uma mesma situação, que pode ainda ser diferente da intenção de que disse. E o pior que pode acontecer, é confundir o interlocutor com tantas opiniões que ele próprio já se perdeu da sua própria.
Difícil esperar que a humanidade consiga se entender. Sem precisar ir tão longe, uma relação a dois se complica tanto no silêncio, como no diálogo ou no extremo de uma briga. Enquanto esses seres tão parecidos se comunicam sem dizer palavras, transmitem seu acordo ou desacordo por meio de gestos. Um olhar também diz muito, mostra se está atendo, se está alienado, com os pés no chão, com a cabeça na lua. As possibilidades são infinitas, a tal ponto se não termos idéia do se passa dentro de cada um. Onde as respostas e reações serão buscadas, se serão trazidas de experiências do passado e que não querem que sejam vividas novamente. Podem ser reações automaticamente viciadas e por isso, realizadas constantemente.
Limites são ultrapassados enquanto medos são mantidos. Imprevidente esforço para ir além do que já fomos até hoje, gastando toda a energia em um só trajeto que pode não ser o desejado. Se o medo não fosse deixado de lado, talvez a dúvida levasse à ponderação e a ponderação a um raciocínio que evitaria sofrimentos desnecessários. Sob outro ponto de vista, o medo pode nos inibir de viver novidades e com elas aprender, sem sermos sempre surpreendidos por estarmos na cômoda mesmice a que nos entregamos. Mas ao mesmo pode ser já conhecer onde estamos e isso é bom. Tudo derivado do mesmo sentimento MEDO.
Lançar-se ao fogo sabendo que irá se queimar, manter-se na brasa onde o calor é suportável, encolher-se no frio para congelar o tempo. Na verdade, nenhuma das nossas verdades é permanente, somos mutáveis, mutantes, humanos. Mutáveis entre ações e reações que nos conduzem pela vida, envolvida por sentimentos, sensações, anseios...Mutantes por mudarmos nosso corpo para que ele seja diferente do que é, utilizando o meio que convém: ginástica, plástica, aparência, roupas. Tornando-o igual a algo que julgamos ideal.
Somos humanos em busca de sermos felizes, com medo dos nossos próprios fantasmas, escondidos no escuro, por vezes querendo estar sob o cuidado da luz como se nela pudéssemos enxergar tudo com clareza. Mas é nossa visão que confunde não o cenário, não são as palavras é a leitura que fará a diferença. Somos caminhantes que no fundo não sabemos de onde saímos, temos apenas uma idéia de nossa origem. Caminhantes que não sabemos onde vamos chegar, se vamos chegar e com quem vamos contar. Sozinhos ou acompanhados o sol pode aquecer um e torrar o outro, a chuva pode refrescar quem estava se torrando ao sol ou pode levar a hipotermia a quem apenas se aquecia. Atraídos somos sem saber uns aos outros, pelas estradas que se cruzam alterando nosso destino, a decisão de mudar é individual e todos temos iguais chances de decidir, mas podemos decidir por escolhas diferentes. Tomamos a estrada por nossa vontade ou estrada é que nos conduzirá. O mais importante é que nunca caiam as pontes entre nós...

DÚVIDAS CRUÉIS

Quem nunca passou por momentos em que precisava tomar uma decisão por mais simples que fosse e não passou alguns instantes pensando no que fazer! São breves instantes, segundos, que por vezes daríamos a resposta automaticamente sem pensar e desta vez não foi bem assim. Tudo muda o tempo todo, não há nada que possamos manter como imutável neste nosso mundinho. Até mesmo o ato cotidiano de fazer as compras. Nas prateleiras dos supermercados em meio a tantos produtos, lançamentos, novas marcas... é preciso decidir entre comprar a oferta ou a marca com a qual já estamos acostumados. Provar um sabor desconhecido, uma “oferta” e se ele não nos atender teremos que incrementá-lo com outros temperos, gastando talvez o que economizou na oferta. Ou... não inovar, permanecer com a certeza do resultado de um sabor já conhecido.
Quando temos que ir a algum lugar, pensamos no trajeto que vamos percorrer entre a origem e o destino. Traçamos mentalmente o caminho, calculamos o tempo que vamos utilizar, a distância, o trânsito, retas, curvas, semáforos, desvios... Não esquecendo possíveis transtornos fora do nosso controle.
Situações aparentemente simples, mas que trazem entre os pensamentos entorno delas, traços de personalidade de quem está tomando essa decisão, de quem está passando por aquele momento, raciocinando sobre as atenuantes. Muitos são os fatores que nos influenciam nas decisões e também os resultados alcançados anteriormente, os paralelos são realizados como se fosse uma planilha de Excel em nossa mente. Racionalizamos do mínimo ao máximo risco sem saber ao certo, se dará certo. Vem junto a isso aquele famoso chavão “Oh! Dúvida cruel!”
Mas na verdade; sejam situações simples ou mais complicadas; cruel é a indecisão! A dúvida é parceira do questionamento. Todo esse exercício mental estimula nossa capacidade, nossa agilidade em tomar decisões. Atitudes raciocinadas e não mais reflexos instintivos ou condicionados, mas conduzidos por uma inteligência atuante. Esse hábito, o fato de pensar em nossos próprios atos é importantíssimo, é questão de sobrevivência para os dias de hoje, seja no desenvolvimento de tarefas domésticas ou empresariais, “pensar” faz de nós profissionais naquilo que fazemos.
Aquele que não aprende a decidir por si delega suas decisões a outrem, que por sua vez pertence a um outro mundo de atenuantes. Está sob outras influências e conseqüentemente tem outras expectativas. Se sua forma de conduzir for aceita, quem quer que a tenha aceitado terá que se conformar também com os resultados obtidos, sem reclamar ou revoltar-se por não ter atingido o que desejava. “Pensar” é também buscar o equilíbrio. Sempre estaremos entre o antigo e o novo, entre o rápido e o lento, entre o certo e o errado. Equilíbrio não significa o meio entre eles, como ser “moderninho”, ou “morno”, ou apenas “politicamente correto”. Equilíbrio é assumir um dos dois lados e estar de acordo com essa escolha e suas conseqüências. Temos que ser quente ou frio.
Entre tantas dúvidas mundanas como: “o que vestir”, “até quando esperar”, “o que dizer”... Há outros tipos de dúvidas. “Estamos realmente sendo amados?” “O que sentimos é mesmo amor?” “É só sexo?” “Quando estamos com alguém e pensamos em outra pessoa é traição?” “Ou traição só acontece quando realizada no plano físico?” “Sabemos quem somos?” “Será que somos verdadeiros? “Ou somos verdadeiramente uma mentira?” “Existe mesmo magia ou tudo é ilusionismo?” “O que é verdade?” Buscamos o equilíbrio nessa tênue linha entre o concreto e o abstrato, elaborando perguntas e buscando repostas nas experiências vividas ou observadas.
As respostas para as inúmeras dúvidas podem estar nos muitos conceitos dentro da química à psicologia. Analisando quimicamente a queima de um fósforo, percebemos que a combustão só acontece uma vez, ou seja, é irreversível. Dentro da psicologia, poderíamos que certas decisões também são nosso “fósforo queimado”, talvez esse seja o motivo das nossas dúvidas, a incerteza do resultado. Termos dúvidas não nos tornam seres fracos e indecisos, muitos pensadores as tiveram em suas mentes:
· “O ignorante afirma, o sábio dúvida, o sensato reflete.” (Aristóteles)
· “Uma vida não questionada não merece ser vivida.” (Platão)
· “A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula.” (Voltaire)
· “Posso duvidar da realidade de tudo, mas não da realidade da minha dúvida.” (André Gide)
· “É menos mau inquietar-se na dúvida do que descansar no erro.” (Alessandro Manzoni)
Há certas coisas na vida, que não se pode viver sem elas. A vida tornar-se-ia perigosa de ser vivida na medida da insensatez, da inconseqüência, do ilusório. Ainda que a dúvida nos ronde, é preferível ter dúvidas inteligentes que uma certeza burra.

POR QUE AS MULHERES MAIS INTELIGENTES SÃO AS QUE MAIS SOFREM

Com certeza este século foi das mulheres, sem querer nos vangloriarmos a toa. Nós mulheres, que antes éramos delegas a usar a inteligência “só” na administração da limpeza, organização de rotinas, lidar com a família, atender os vizinhos, satisfazer a todos, esquecer de nós mesmas e ainda ser feliz! Não sei como ainda não fizeram uma cartilha prática dessas atividades para a área comercial. Principalmente na área de hotelaria, pois é o que parece uma casa de família, só que em menor escala. É triste pensar que por tanto tempo, fomos administradoras de um hotel que chamamos LAR, com hóspedes permanentes que chamamos FAMÍLIA, que nem sempre pagavam em dia, reclamavam dos serviços e o pior, sem segurança no emprego, pois uma falta grave poderia culminar em demissão por justa causa, sem direito a nada.
Engraçado como hoje uma mulher que gerencia um hotel ou outras coisas, é admirada pela sua inteligência e a mulher que se dedica só ao lar é rotulada como limitada, tentando suavizar a real intenção. Inteligência é um conceito muito subjetivo. Às vezes está associada à cultura, a grandes descobertas, ao oportunismo. Há muitas maneiras de se demonstrar inteligência. Manipular emoções, só consegue quem é muito inteligente, porque engana os outros, a si mesmo e por algum tempo engana até o engano de enganar-se, acreditando no que sente.
Claro que inteligência não é um atributo só das mulheres. Os homens também são inteligentíssimos principalmente em se tratando de emoções. Por isso, as mulheres se sentem tão confusas em relação ao verdadeiro amor, pois os homens sabem administrá-lo com muita praticidade. Verdadeiro amor sim! No fundo é o que todos buscamos, usamos todas as artimanhas possíveis ao chamar sua atenção para nós. Nessa busca; na maioria das desilusões; são as mulheres que mais sofrem. Calma, não quero com isso dizer que as mulheres são pobres vítimas e os homens tiranos cruéis. Eu explico...
Se o desejo nacional masculino opta pelas loiras, como “sex-simbol”, rapidamente o número de loiras aumentam, e os salões agradecem! Se os seios avantajados de alguém são elogiados, percebe-se o crescimento no comércio de silicone, aí são os cirurgiões plásticos que agradecem! Se as poposudas e suas calças “santro-pé”, são o sucesso do momento, até calcinha com enchimento se usa, caso não possa pagar um desses tratamentos moderníssimos, mas as estéticas agradecem as que podem! Quem levar tudo isso mesmo a sério, no final de todas as modificações não saberá onde está a original, pois, estará parecida demais com as “genéricas“. Tudo para aumentar as chances de agradar e ser amada.
Na verdade, conseguem agradar, a ilusão está em acreditar que essa admiração será duradoura o bastante para transformar a atração em amor. Esse medo tem fundamento sabe por quê? Porque as loiras são “burras“ e com o tempo seu charme passa a ser pouco; porque seios naturais têm uma textura melhor; porque quando a luz se acende e a calcinha com enchimento... Bom vai tudo “bunda“ abaixo, quer dizer, água baixo. E tudo acontece geralmente antes do amor sequer passar por perto. Logo a loira, a turbinada e a poposuda, são superadas por uma magrela, de cabelo bem liso, universitária, o que não é o mesmo que ser inteligente; mas tem estilo. É o tipo independente, descolada e defende a tese de que não mudaria nada no seu corpo para agradar um homem. Nossa que personalidade! Essa mulher é que vale a pena agora, aquela que resiste ao domínio masculino. Se precisar, é apresentada até a família, para que se convença de que não é só uma conquista, é relacionamento sério.
No fim, esse lance de “papo cabeça“, ficar discutindo a relação que não está evoluindo, também cansa. Exige muita concentração, esforço, desgasta e tem que abrir mão das coisas que homens gostam de fazer. Então ele olha e vê o amigo tranqüilo com a loirinha e pensa que não está pronto para assumir tanta responsabilidade. Antes tudo era mais fácil, mais básico, mais genérico. E o tipo independente que estava quase chegando à fase do amor, recebe a notícia de que o problema não é ela, mas ele é que não serve para ela, entende? Ela merece e encontrará alguém que a mereça. Amigos? Aparentemente, sim; certamente, não! Sem ressentimentos? Aparentemente, não, certamente, sim!
Não importa ser inteligente, independente, “Amélia“, turbinada, meiga ou agressiva; o amor que une as pessoas só acontece com construção, dedicação, diálogos, adaptações e vontade de ser feliz, fazendo o outro feliz também. Não existe mulher “burra“, todas são inteligentes ao desenvolverem seus próprios mecanismos para encontrar o tão sonhado amor. Não qualquer amor; o amor recíproco, o que poucos casais realmente conquistam. Amantes se encontram o tempo todo, amores só se encontram quando aprendemos a valorizar mais os sentimentos do que as aparências e é o que costumamos fazer. Homem e mulher são o complemento um do outro, assim dizem, homem-razão e mulher-sentimento, juntos em equilíbrio deveriam ser uma combinação perfeita. Todas as mulheres são inteligentes! Tanto as que se esforçam para não depender do amor de um homem, quanto as que se mostram dependentes para serem felizes. Essas mulheres inteligentes sofrem, sofrem muito, por que não há como entender a razão do outro que não sabe amar.

O PEQUENO PRÍNCIPE

Quem nunca ouviu falar desse livro do autor Antoine de Saint-Exupéry, publicado em 1943? A primeira vista parece até um livro de ficção infantil. E também, quem nunca disse que as crianças têm uma sabedoria peculiar? Ingenuidade sincera, senão delas a nossa, pois na verdade não creio que elas sejam assim sábias. Diria que por estarem vivenciando um período de sonhos, fantasias, estórias, magias, fadas e bruxas, tudo se resolve com facilidade. Obstáculos gigantescos são ultrapassados utilizando somente a imaginação.
A preocupação delas nessa fase é saber por quanto tempo poderão brincar, com quem e onde. Enquanto nós adultos fixamos nossa comunicação só quando estivermos no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas; para as crianças democraticamente brincando, qualquer lugar serve. Quanto mais trabalho der a brincadeira, montar cenário e etc, mais tempo vai levar, quanto mais tempo, melhor! Todos são aceitos nessa hora, havendo sempre espaço para mais um. Basta acrescentar um personagem.
Nós adultos somos bem mais seletivos. As crianças também são, os critérios é que são diferentes. Os nossos se baseiam em dinheiro, status social, cargos, idéias, aparência. Os delas são com quem fica esse ou aquele objeto, quem será o pai ou a mãe desta vez, se na estória haverá machucados que precisem de médico. O roteiro é readaptado sempre que surgem novas idéias e nem ligam se quem foi escolhido para ser o pai tem mesmo cara de pai.
A sabedoria das crianças está na simplicidade das soluções. Claro que mesmo brincado, discordam, brigam, se contrariam, até se xingam tipo: bobo, chato, fedorento... A questão é que a situação não perdura, logo encontram alternativas, reconciliações, promessas. Promessas que serão quebradas no dia seguinte, mas isso não importa porque novamente elas próprias buscarão as soluções. E sabem por que? Porque tem em comum um objetivo maior: Brincar, brincar e brincar. É o que importa para todas elas, aproveitar ao máximo o tempo para brincar, sempre se precisa de mais um pouquinho. Toda discórdia, diferenças só diminui as horas disponíveis para brincar de tudo. É desperdício deixar de brincar para brigar, então é melhor adaptar do que abrir mão da oportunidade.
Os adultos também brincam... brincam com os sentimentos dos outros; com as fragilidades dos outros. Brincam de viver. Quanto mais diferenças puderem acrescentar em suas relações, mais superiores se sentem. Criam seus próprios dilemas, mas querem que o outro os solucione, e rápido! A rapidez não está relacionada ao aproveitamento do tempo e sim para se vangloriarem da pressão que são capazes de impor. Nós, seres maduros, também fazemos promessas que serão quebradas no dia seguinte, mas só porque fazer a vontade do outro é sinal de fraqueza. Não nos importamos em ter um objetivo maior em comum, queremos apenas atingir os nossos. E ainda preferimos desistir de certas oportunidades que beneficiariam outros além de nós, do que ceder.
Como é bom observar as crianças brincando, correndo, brigando e fazendo as pazes. Movimentação com harmonia, primeiro exercício de como viver em uma sociedade democrática. Tudo funciona muito bem em seu próprio ciclo. Só acontece o desequilíbrio quando algum deles tem a “brilhante” idéia de levar o problema para um “sábio” adulto resolver. O tal, que adora ser consultado, faz aquela cara de sabe tudo, analisa rapidamente qual decisão beneficiará seu filho, olha em volta para certificar-se de que não há testemunhas e... Usa toda sua sabedoria para estragar o conceito de democracia, que as crianças aprendem brincando; além de mostrar que aquele que tiver o mais forte do seu lado terá privilégio; que quando reconhecemos um bom sentimento de alguém em relação a nós é para fazer a nossa vontade e que não importa o que é certo ou errado desde que ganhemos sempre.
O pior é que nós os adultos de hoje, fomos as crianças de ontem. Fizemos as coisas que elas: brincamos, corremos, brigamos e fizemos as pazes. Esses ensinamentos foram se perdendo ao longo do caminho, no qual substituímos os valores morais por valores monetários. Salientamos a pureza das crianças, sua fé diante da vida, otimismo com o amanhã esperando melhoras e principalmente a capacidade de recomeçar as brincadeiras todos os dias. Então por que interferimos na solidificação desses valores com nossos exemplos viciados? Se admiramos as crianças por sua simplicidade, por que fazemos questão de matar a que existe dentro de nós? Para onde foi o Pequeno Príncipe, não sei! Só sei que não me esqueço dele, não me esqueço de que “sou responsável por aquilo que cativo”. Querendo ou não, cativamos animais de estimação, amigos, famílias, sentimentos. Cativar é uma ação neutra, o direcionamento é totalmente nosso. Basta olhar os resultados que obtemos e saberemos o que andamos cativando pela vida. Tomara que o Pequeno Príncipe não tenha crescido e se tornado um adulto com o “rei na barriga”.

MENTIRAS REAIS

Difícil saber quem não gostaria de viver um lindo conto de fadas. Nós os ouvimos desde a infância e mesmo anos e anos depois continuam a ser repetidos aos nossos filhos, netos, bisnetos...Se tornaram clássicos, imagens lindas, paisagens européias quem sabe, lições importantes, com vilões, heróis e mocinhas. O final é sempre feliz. Pena que nesse caso a vida não imita a arte. Ou será que imita?
Se considerarmos as cantigas de ninar como um curto conto de fadas cantado, que tem a intenção de fazer dormir, a primeira cantiga da nossa lembrança talvez, seja a Cuca. "Nana nenê, que a cuca vem pegar, papai foi na roça, mamãe no capinzal…", apesar de muito antiga ainda parece muito atual. Os portugueses as trouxeram para o nosso país e os escravos dos navios negreiros foram modificando algo de acordo com sua cultura, mas o fato é que realmente para seus filhos estavam trabalhando, estavam fora da senzala. E para os filhos dos patrões também vinham a calhar, pois os pais deles também estavam fora de casa, os pais administrando os negócios e as mães administrando a vida social. No fim todos estavam trabalhando e os filhos prontos para dormir cedo. O que se modifica para os dias de hoje, é que a empregada vai quando os pais chegam; cansados, estressados e encontram os filhos ainda cheios de energia. Para poder colocar em ordem o lar e depois descansar, logo as caras feitas para os pimpolhos é daquelas, bem semelhante a da Cuca, Bicho Papão, Boi da Cara Preta. Tornou-se real a cantiga de ninar, que convence qualquer criança a dormir por medo da cara feia dos pais. É a pressão de uma mentira real!
Depois dessa dramática alteração, vamos crescendo com uma pulga atrás da orelha, desconfiados de que outras mentiras se tornem reais assim. E se tornam mesmo! A cantiga de ninar foi só o começo, aí vem as estórias fantásticas, cenários maravilhosos e personagens interessantes. Todo sofrimento é recompensado por um final feliz e um grande aprendizado. Mas não é só isso que acabamos memorizando. Um dos clássicos mais contados é o do boneco de madeira que queria ser menino de verdade. Um sonho aparentemente impossível, como impossível seria um simples boneco ter sentimentos tão humanos. Afinal, para realizar seu sonho age de maneira egoísta, mente ao seu paternal criador além de fugir de casa pagando qualquer preço para ser um menino de carne e osso. Depois de muito errar, sofrer e arrepender-se tudo lhe é perdoado. Ainda que em desvantagem em relação a nós, seu sonho torna-se real. Nós rapidamente aprendemos a reverter o que a ele era desvantagem, ter suas mentiras desvendadas pelo nariz que cresce involuntariamente. Nosso teste transforma a difícil tarefa de dizer só a verdade, somente a verdade e nada além da verdade, na maneira mais simples de adultério: a mentira! De pequenos, ouvimos a estória e ao tentarmos esconder uma verdade que irá render um belo castigo, mentimos. Eureka! O nariz não cresceu; se tivesse crescido todos perceberiam a mentira, mas como o nariz não cresceu, concluímos logicamente que o que dissemos era verdade.
E assim, muitas mentiras reais vão se apossando de nossas vidas. Certa vez, um jovem, porém astuto disse sabiamente que todos temos um saco de mentiras que podemos usar ao nosso dispor. Contudo não podemos repetir as mentiras ou seremos pegos. A questão é que crescemos tão convencidos cujo o único sinal que denuncia uma mentira é o nariz, que acabamos por matar a vovó mais de uma vez. Adoecemos nossa mãe frequentemente. Quebramos ônibus, causamos acidentes de trânsito e até alteramos nossa condição física quando os outros recursos se esgotaram. Como se os únicos espertos a terem um saco de mentiras inéditas fossemos nós. Passamos à vida nos enganado, achando que o enganado é o outro que acredita inocentemente em nós. São razões que nos foram contadas por boas intenções, mas como nossas intenções natas provavelmente não são tão boas assim, do que nos foi contado apreendemos o que nos interessa. Em vez de pensar que é importante ter disciplina para dormir, nos apegamos ao medo do escuro e de cara feia, sendo que ambos nos acompanharam por toda a vida em situações diferentes as da infância. Acreditamos nas nossas próprias mentiras nos auto-iludindo quanto à realidade. Esse círculo precisa ser quebrado em algum momento, por alguém, por nós mesmos até. De nada adiantará viver uma fantasia, um conto de fadas, quando vivemos uma vida real na qual não aceitamos nem mesmo o sofrimento que nos causamos por insistir no erro de mentir. Mentira seja ela pequena ou grande, não deixa de ser mentira. Não assumir uma falha por temer que se torne um erro de conseqüência leve ou pesada, não nos impedirá de estarmos errados. Azeda ilusão achar-nos sempre certos, verdadeiros, sem saber quem somos. O que é mais errado: ter falsas verdades como ideais de vida ou viver uma vida de mentiras reais?

EU E VOCÊ ONLINE

A internet é revolucionária. É um vício. Pode até ser uma droga. O usuário corre sério risco de morrer de inanição, isolamento e falta de higiene! Em casos extremos, pode tornar-nos mendigos virtuais, dependentes de conexões, os maiores carentes a espera de um aviso, e-mails, orkuts e codinomes. Adentramos a um mundo novo, sem saber qual é o seu regime político, governante ou desgovernado... Mas com certeza, com um alcance ilimitado, fora da lei até. Eu sei que já existem leis que regulamentam seu uso, contudo os órgãos reguladores ainda são ingênuos em relação aos experts em navegação.
Nessa área sou marinheira de primeira viagem, só sei de onde estou saindo, não faço idéia de onde vou chegar. Sinto-me assim, uma “descobridora dos sete mares”, incapaz de dominar as ondas que se movem ao sabor do vento. Será que na internet também se pode naufragar? Colidir com um iceberg, tipo Titanic? Bom, se for para encontrar um Leonardo DiCaprio, todo risco vale! O duro é saber que ele vai morrer no final! Melhor fazer meu próprio roteiro onde o casal principal da trama termina junto e feliz para sempre.
Como tudo que está neste livro, esse texto se refere às pessoas da vida comum, sem autógrafos, paparazzi, manchetes, então não preciso divulgar nomes. Digamos que os personagens escalados para os papéis principais seja apenas eu e você. Sem patrocínio a produção tem que ser a mais barata possível. O tema será um romance pela internet. Não falo de pessoas solitárias, nem de aventureiros e muito menos psicopatas. Falo de pessoas que um dia resolveram ver como funciona essa tecnologia em favor do homem. Aliás, creio que a internet já superou o Bombril das 1001 utilidades; ela tem no mínimo 1002 para começar. Através dela acontecem coisas que até “Deus duvida”. Já que falamos em Deus, será que Ele também vai usá-la como meio para intuir seus missionários?
Voltando ao roteiro, por qual motivo duas pessoas que não se conhecem e não se vêem se envolveriam em um tórrido romance? A idade, não importa. A cor, depende; não, acho que não interfere. Profissão é uma forma de analisar o intelecto. Religião, futebol e mulher não se discutem. O que poderia ser... Sexo? Heterossexualismo, homossexualismo, pedofilia, sexo bizarro. Esse lado negro já foi muito explorado, não quero ser uma menina má.com, entende? Tem que ser algo gostoso, atraente e irresistível. Com todas essas características só pode ser “você”, é claro. “De onde vc tc?”. “Qts anos vc tem?”. “Foto?” “Vamos tc pelo MSN?”. Como cada nicho tem seu próprio vocabulário, o da internet tem que ser curto, rápido e objetivo. Não se pode perder tempo. As oportunidades voam! Não adianta usar roupas de marca, perfume importado ou esbanjar riqueza. É preciso ser esperto, detectar alguém interessante e ser convincente em poucas palavras, para conseguir apartar esse alguém de uma sala de bate-papo. Nas inúmeras salas podemos encontrar apelidos dos mais variados, alguns esquisitíssimos como: “Hsexmachine”, “Danadinha”, “Gostosão”, e outros que acho melhor não citar. Alguns assumem a idade logo de cara. E tem ainda aqueles que já dizem o que estão querendo; “vc tem cam”, “quero te ver”! Tem que ser muito corajosa ou corajoso para encarar um desses, é questão de intenção.
Nossos protagonistas não se enquadram em nada disso. São pessoas buscando algo mais. Mesmo sem saber ao certo o que buscam, nem se vão encontrar. Engraçado como sem ver, sem ouvir a voz, sem sentir o cheiro, sem provar o gosto do beijo, sem tocar é possível sentir tudo por meras palavras lidas em uma tela. Acontece de mente para mente, de desejo para desejo. Suspense é isso! Ter que usar a imaginação para viver uma fantasia virtual. Nessa fantasia individual e dupla ao mesmo tempo, ora comandamos ora somos comandados, inspiração é tudo. As possibilidades infinitas nos permitem assumir nossos desejos secretos, dividi-los com um nobre desconhecido e aceitar o que ele quer te dar. Nossos pudores e julgamentos habituais vão cedendo espaço ao paraíso dos “pecadores”. Pecado? Por quê? Se essa vontade já estava latente, então ela já era minha. O fato de deixar que ela se realize a dois não é o que a torna pecado; intenções e sentimentos sim. Concorda?
Mais um dia, mais uma noite, a qualquer momento essa sensação antes estranha, vai se aconchegado até tomar posse. Como resistir a uma noite quente, um céu em que se podem ver nitidamente as estrelas, caminhar descalça pela areia, a espuma das ondas a refrescar os pés, brisa suave, o cheiro do mar... Fecho os olhos e sinto seus passos a me acompanhar. Suas mãos que buscam as minhas e logo nossos corpos se encontram. Frente a frente, olho no olho, boca a boca, finalmente os braços nos prendendo um no outro. Nesse breve instante ouço apenas sua respiração, o mar permanece em silêncio; meus pés não tocam a areia, estou flutuando! Eu estou com você e ponto final. Melhor ainda; eu sou você e nós somos um. Uma vontade em dois corpos. Abri os olhos, ainda guardo a sensação de te sentir, mas será que trouxe você comigo? Um arrepio frio me toma, tenho medo da sua ausência.
Ausência, sinônimo de offline. Posso telefonar? Não. Posso ir até você? Não. Só tenho seu e-mail. Onde você pode estar... Pior, com quem você está... Nada posso fazer, sinto-me impotente. Os “7 mares” afundaram as minhas esperanças de ancorar em uma terra nova. Não entendo por que me sinto assim, como posso perder o que não me pertencia! Era apenas um teste, mas a dor é real. Inconscientemente, continuo te esperando. Disfarço para que você não perceba que eu estava levando a sério. Disfarçar para que se você não está me vendo? Será que as pessoas percebem que apesar de virtual, não deixa de ser real? Ainda que não saibamos toda a verdade a respeito um do outro, mesmo que tenhamos que acreditar em mentiras, os sentimentos explodem instantaneamente. Uma revolução em segundos. Uma relação tão intensa quanto concreta. Os segundos de espera parecem horas, dias, meses. A ansiedade se mistura ao medo da incerteza. O tempo passa e você não vem. Sou náufrago em uma ilha que acolheu minha solidão. Espera aí, esse roteiro é meu! E eu quero um final feliz, para variar. Susto, foi apenas um susto, uma queda de energia interrompeu momentaneamente nossa comunicação. Você se sentia assim como eu. Tão logo pôde me deu um sinal para chamar minha atenção e disse “Ei linda, que bom que você me esperou, não posso te perder.” Um suspiro de alívio sai de mim como uma prece, meu corpo relaxa novamente e estou pronta a me deixar levar por você para qualquer lugar. Falta apenas seu convite: _ Que tal eu e você online...”

CORPO A CORPO

O corpo é a casa das nossas sensações, sentimentos e desejos. Ele recebe os efeitos das nossas decisões e obedece fielmente a esse comando. Ele é perfeito, nada lhe falta, possui todos os recursos de que precisamos e ainda reservas para os exageros. Esforça-se, dá tudo de si para nos satisfazer e nós descontamos nele nossas frustrações. Será que se compreendêssemos a alta tecnologia na qual foi desenvolvido, que impossibilita os mais avançados cientistas saberem como recriá-lo totalmente em laboratório, o respeitaríamos como merece?
Acreditar que ele foi criado apenas como arma de guerra, apenas depositário de segredos nunca revelados e ainda como mero instrumento descartável, feriria por certo nossa inteligência. Devido à destruição que lhe causamos, nem sempre é possível recuperar-lhe a forma. Não! Manter a crença de que ele transporta nossas vontades até as nossas realizações. Sempre ouvimos dizer que a “carne é fraca”, como se o corpo; parte palpável do ser; fosse responsável pelos nossos desvarios, essa simples massa que cobre nosso íntimo leva a culpa! Desde os primórdios dos tempos, carregamos o estigma de que esse conjunto de músculos e ossos tinha duas funções básicas: guerrear e satisfação sexual para os homens. Para as mulheres seria gerar vida e satisfazer aos homens.
Os tempos mudaram e a forma como lidamos com o nosso corpo também mudou. Percebe-se nitidamente que hoje a preocupação com a estética corporal e a longevidade. Mas e suas funções evoluíram? Não na mente da maioria dos seres humanos. O ato de guerrear, foi transformado pelo homem na luta pela sobrevivência, que significa trabalhar e sempre que possível proporcionar-lhe jovialidade nas atitudes. Até o momento parece que nada se modificou! Algo mais foi acrescentado às mulheres, também guerrear pela sobrevivência e buscar sua própria satisfação sexual.
Para ambos esse prazer tem dois aspectos: primeiramente essa satisfação proporcionada por estímulos externos através das bebidas alcoólicas, alimentação desequilibrada, ingestão de tóxicos, busca permanente da auto-satisfação. Manter o corpo desperto o máximo possível é a idéia que se tem de como aproveitar o tempo. Ganhar tempo divertindo-se sempre mais, nem pensar em sono reparador. Recuperar as energias ficando parado é um equivoco, só em caso extremo, o comum é rebater. O segundo aspecto é a conscientização de que para conservar o êxtase por mais tempo, é preciso cuidar do corpo, afinal se ele é a fonte das melhores sensações, tudo está diretamente ligado a sua condição física. Estando em forma, malhando bíceps, tríceps, barriga estilo tanquinho, pernas bem torneadas como as pernas dos jogadores de futebol são, certamente o homem será notado no meio da multidão e essa admiração narcisista lhe renderá elogios. O mesmo fenômeno se repete com a mulher, embora ela viva tudo isso há mais tempo, devido à rivalidade feminina.... Rivalidade essa que sofreu significativa modificação com o tempo, o assédio ocorre também por pessoas do mesmo sexo! Seja por curiosidade, tendência, libertinagem está cada vez mais difícil identificar as preferências sexuais apenas pela aparência.
Trabalho e prazer refletem no corpo muito mais do que a imagem superficial que é mostrada. Através dele, nós falamos uns com os outros sem palavras. A forma como gesticulamos, movimentação do rosto, os olhares, o jeito de caminhar. Nossas intenções e sentimentos poderiam ser lidos como num livro se observássemos em detalhes a linguagem corporal. Por mais que nos esforcemos para ocultar, disfarçar; em dado instante somos delatados: pela pele que exala um perfume único para cada momento, o sorriso na cara, sobrancelhas que se enrugam e bochechas ruborizadas.
Quando nossa alma se comunica através do corpo revelando seu verdadeiro ser, mesclando aromas, trocando sensações, deixando fluir sentimentos sinceros, algo maravilhoso acontece. Orgasmo? Sim, também é maravilhoso sentir essa energia, mas existe algo além, algo que poucos alcançam... Nem todas as pessoas chegam a conhecer o que é um orgasmo, mas outras sensações prazerosas podem vir de um estimulo visual, um toque, atração física, fantasias e possibilidades mil que ainda desconhecemos. Muito além do físico é o amor pleno a percorrer pelo nosso corpo sem que seja preciso o toque. Ele transcende distâncias, o pensamento voa e promove o encontro de almas afins. É comum termos sexo sem amor. Bem mais difícil é encontrar o amor além do sexo.
O ato do corpo a corpo é um lindo balé, mas quando há amor é divino encontro de corpo e alma, mente e coração, entrega total, lágrimas que brotam dos olhos ainda que fechados, pele a deslizar uma pela outra culminando na fusão de energias. O coração de sobressalto, num descompassado ritmo, um cansaço que não exauri forças, palavras não articuladas, apenas sons, um idioma aparte, lábios com encontro marcado, movimentos sincronizados naturalmente pelos corpos que unidos se tornam uno. Esse sublime contato não precisa de ensaio, acontece espontaneamente. Silêncio que se rompe pela música da respiração. Sem palco, sem aplausos, sem expectadores, apenas as horas desse breve encontro como testemunhas de almas nuas mostrando o íntimo ser.
A paixão pode ser divida em atos, ser encenada com textos simplórios, gestos que inspiram sensações baratas que não convencem ninguém, não se sustentam senão por medidas desesperadas. Ela impede que o pensamento possa fluir, faz barulho para que o coração não seja ouvido. O amor não confunde, pode até arrebatar, mas sempre será grata surpresa. Não cria dependência, é o saber da vitória pelo simples fato de sermos chamados de amor. Quando o amor te acontecer, o medo de voltar a sofrer, tentar afastá-lo, lembre-se que o sofrimento não se deu por amor, foi por paixão. Entre em si mesmo, repare no que essa turista sem compromisso, a paixão, o fez sentir. Retire-se para o silencio do teu íntimo e ouça atentamente o que seu corpo e seu coração têm a dizer. Pense em quantas noites de sono perdeu em vão buscando a serenidade em quem estava ao seu lado. O amor nos invade ainda que tentemos resistir, não usa de violência nem magia, é conquista, é mérito de quem soube esperar. O amor não disputa ninguém, não faz guerra, não escolhe. Amor atrai amor. Ele une, fortalece, caminha lado a lado, não puxa nem empurra. Aguarda pacientemente que um dia iremos reconhecê-lo, viver por ele e entender sua linguagem de corpo e alma para alma e corpo.

CAMPANHA DO COBERTOR

Hoje é dia 05 de maio de 2007. Está um friozinho bom de ficar na cama, debaixo do cobertor, no quentinho, quietinha, quietinha. Pena, não é para sempre! Em algum momento somos obrigados a levantar, se vamos até a sala o cobertor pode acompanhar, mas além daquele umbral creio que não fica bem! Enquanto estamos nos mexendo, sentimos até calor, basta parar um pouquinho... E os dentes fazem o resto do corpo todo tremer. Aí lembramos da nossa caminha, nosso cobertor, quentinho, aconchegante, da vontade de voltar correndo, não? Ainda bem que para tudo a uma solução. Agora é a hora certa de começar a Campanha do Cobertor.
O planejamento da campanha já está todo em minha mente, precisarei de muitos voluntários, muita disposição, perseverança, permanecer confiante diante das desilusões e principalmente não pode faltar amor no coração. Enquanto não sentimos o frio na própria pele, não observamos quantas pessoas estão pelas ruas sonhando com um belo cobertor! O amor realmente aquece o coração, pois o coração é lugar onde guardamos nossos sentimentos. Já o corpo, é o lugar onde guardamos nossas sensações físicas. E a mente, deveria comandar os dois racionalmente disciplinando um e outro. Se com vocês isso funciona, comigo não é bem assim.
Quem nunca ouviu aquela velha frase: _ “O frio é psicológico!”. Se fosse assim, a televisão, órgãos governamentais, igrejas e etc, não precisariam fazer campanhas para arrecadar agasalhos. Até os artistas fazem shows beneficentes onde os ingressos são roupas para o frio. Pergunte aos que estão debaixo dos viadutos, nos bancos de praça, tendo o mesmo céu que nós admiramos da nossa janela e um cobertor feito de jornal, se o psicológico consegue agir no meio de uma tremedeira? A primeira noite talvez; na segunda noite, tão logo anoitece, chega junto a sensação do frio, frio esse que se instala ao mesmo tempo em que a lua se mostra no céu. Aproxime-se de um deles e ensine-os a como combater o frio psicologicamente, depois do exercício mental pergunte se o frio passou?
Temos coragem de assumir o frio do corpo, porém o frio do coração nossa vergonha nos impede de aceitar, mas não nos impede de demonstrar. Na verdade, todas essas campanhas são muito mais do que simplesmente agasalhar os desprovidos da sorte, e aquecer os corações de quantos caminham pelas ruas olhando para o chão, para o céu, para as lojas, para o trânsito. Evitando olhar o que está à frente, no meio desse turbilhão de interesses que atrai nossa atenção, bem no centro de tudo há os corações que sentem frio, fome e sede de amor. Ninguém faz campanha para amar o próximo, no máximo sensibilizar!
Toda forma de amor está escassa nos dias de hoje. Somos todos carentes sem lenço e sem documento, nada que nos identifique como tal, mesmo porque disfarçamos heroicamente para que ninguém perceba nossa fraqueza. Começamos assim a fechar-nos para o amor, para amar e também para ser amados. Esse processo é velado, que ninguém faz campanha para aquecer os corações que passam frio mesmo no verão! É em nome deles e do meu coração que proponho nos engajar na campanha do “Cobertor de Orelha”. Não se trata de toucas de lã, perucas ou mini-aquecedores portáteis. Falo daquele sussurro ao pé do ouvido, que desce queimando mais do que uma dose de pinga. Falo daquela dose de carinho que não se compra no bar. Falo de um sentimento ímpar, que quando encontra outro se torna par. Falo de uma quantidade de compreensão que não cabe em frascos. Falo de um respeito que não se pode comparar a marcas. Falo da paciência que não tem prazo de validade. Falo dos companheiros que estão sempre juntos sem depender de uma promoção casada. Falo da sinceridade que não se mede em ml nem em kg. Enfim, se cada panela tem sua tampa, cada orelha tem seu cobertor. Tenho certeza de que se as pessoas se sentissem amadas, não faltaria amor para ninguém. Campanhas contra o frio e a fome seriam desnecessárias, pois ninguém estaria abandonado à própria sorte. Creio que o correto seria dizer ao próprio azar... Vamos corações solitários, vamos nos unir nessa campanha onde a caridade é em favor de todos sem distinção. Faremos carreatas, passeatas e quem sabe nesses encontros encontramos aquele ou aquela que até então estávamos nos desencontrando. Unidos venceremos!

BRUXAS

“Yo no creo en brujas, pero que las hay las hay “. De certa forma todos crêem que elas existam até hoje, talvez dentro de cada mulher. É aquele lado mais místico, supersticioso e sombrio que fazemos de conta não existir. Como se nem soubéssemos que o tínhamos escondido, em um canto pouco vasculhado do nosso ser. Tememos descobrir as coisas feias que já fizemos através dela e culpamos outrem e nos forçaram a mostrar esse lado “feio”. Acredite, ela está dentro de nós esperando um bom motivo para se revelar.
O lado bom de reconhecermos que não somos tão boas assim é se permitir errar conscientemente, apenas por preguiça de fazer o que é certo. Usar atalhos, fazer nossos feitiços. Feitiços do tipo da “bruxinha boa do oeste”, que age só pelo bem, ainda que seja pelo bem dela mesma! O disfarce de toda bruxa é ser discreta, o que é diferente de ser dissimulada, afinal estamos aprendendo a gostar do que somos. Quando a vida nos permite certa normalidade e constituímos família, a reclamação mais comum é o sono pesado dos respectivos companheiros, sem perceber que no fundo isso é misericórdia divina. Por quê? Imagine se aquele príncipe encantado dormindo ao nosso lado acordasse, no meio da noite e nos flagrasse indo ao banheiro, descabeladas, sem maquiagem, cambaleante, amarrotada de sono? Faça o teste e descubra! Quando levantar de madrugada, antes de ir ao “trono da rainha” dê uma paradinha em frente ao espelho, acenda a luz e se olhe. Mesmo com os olhos embaçados não pense ser uma ilusão de ótica. Não se assuste, nem se belisque como quem tenta acordar de um pesadelo; é apenas a nossa imagem real. Assim calculadamente acordamos antes, fazemos uma maquiagem bem discreta, arrumamos a cabeleira, escovamos os dentes e nos deitamos com aquele ar de pele fresca natural. E eles despertam com uma beleza “nada artificial” e continuam “apaixonados”.
As bruxas de hoje são descoladas, antenadas, vitaminadas! Lembram-se dos “chapéus pretos e ponte-agudos” que escondiam aquele cabelo tipo palha de aço? Recurso obsoleto... Agora temos alisamentos, alongamentos, até a escova e inteligente! Tons dos mais variados são comprados em qualquer farmácia. Verrugas no nariz? Depois do Ivo Pitangui, virou passado. Podemos até escolher o modelo de nariz tipo Barbie e ir além; boca estilo Angelina Julie. Assim como as rugas tiveram seu fim com botox. O vestido preto que mais parecia uma toga, no qual éramos confundidas com uma cortina de mau gosto, foi substituído por jeans, mini-saias, blusinhas baby-look, sem esquecer o “chik” pretinho básico. São tantos acessórios e os modernos recursos que só o dinheiro é o limite.
Progredir é a lei, nossas técnicas estão mais sofisticadas. Os utensílios arcaicos foram trocados por alta tecnologia. Caldeirões, aqueles que para alcançar a borda precisávamos de escada, fazer uma força sobre-humana para mexer, virou relíquia de museu. Hoje temos fogões a gás, com timer que é um luxo e ainda o microondas. Panelas antiaderentes e formas refratárias.
Aqueles ingredientes complicados como: asas de morcego, ovos de aranha, pó de cobra e etc (impossível relembrar todos depois de tanto tempo) basta ir a um hipermercado para encontrar os produtos mais exóticos, embalados a vácuo e aprovados pelo ministério da saúde, incluindo a versão light e diet. Em caso de constrangimento na hora da compra pode usar o serviço delivery. As poções já vêm engarrafas como o Absinto por exemplo. Aromas sofisticados produzidos por grifes famosas como Chanel. Vassouras desconfortáveis nunca mais, voamos de 1ª classe sim senhor! Tudo se torna mais sutil, mais leve, a sedução é consentida pela vítima, que se entrega por livre e espontânea vontade.
As antigas teorias e tradições de que nossa única intenção era fazer puramente o mal pode ter outro sentido hoje. Embora tenhamos uma personalidade um tanto egoísta, orgulhosa, vaidosa e competitiva; se analisadas por outros ângulos; poderíamos dizer que isso é vontade de ser feliz. Toda vez que um feitiço é bem sucedido, pelo menos duas pessoas se sentem felizes: a bruxa e o seu objeto de desejo. Do ponto de vista de quem partilhava o mesmo desejo que a “tal bruxa”, resta à inveja de não ter conseguido o que queria. Alimenta-se então, da mórbida espera de um dia ver aquela bruxa queimar na fogueira. Engraçado: sendo a bruxa um ser maldoso, não há histórias que relatem que ela tenha queimado um ser humano, por mais “bruxa“ que fosse, a queimada era sempre ela!
É uma injustiça que essas dedicadas “alquimistas” sejam condenadas a uma pena tão cruel. Afinal até as crianças sabem que não se deve brincar com fogo! As pobrezinhas são sempre desmascaradas e nunca conseguem um final feliz, são condenada a solidão eterna. Será que esse é o merecido fim de quem não pôde ser como é, esforçando-se para ser quase invisível, morando em castelos mau localizados, restando-lhe o sapo como companhia. E o príncipe? Fica com a “songa-monga” da princesa que sofreu, chorou sem reclamar, mas também não lutou, só para ser aquela mulher frágil que precisa ser salva.
Esse instinto que até hoje corre em nossas veias, herdamos de quem? Essa “intuição feminina”, esse “sexto sentido”. Analisem vocês homens, senhores da razão imparcial, não seriam as bruxas apenas fadas sem asas?

A MÃO E O CÉREBRO

A era do “Orkut” representa a possibilidade de conectar-se com milhões de pessoas, de acordo com os pontos em comum que vamos descobrindo uns com os outros. Quando um desses grupos se encontra forma então uma comunidade. Mais uma vez vemos o nascer de um novo dialeto cibernético. Identificação imediata, afinidades, como é bom falar e ser compreendido por “velhos novos amigos”.
Com certeza pensamos em nos filiar a alguma. “Filiar”, será que é assim que se diz? A questão é que nem sempre somos aceitos com um simples “click”, é preciso que o criador de tal comunidade permita que sejamos membros. Em outras basta incorporar-se e podemos até deixar um recado, ou melhor, um “scrap”. O importante é ser criativo, inovador e mostrar que temos os pré-requisitos adequados para integrar essa tribo. Têm comunidades para todos os gostos, credos, idades e preferências. Os tristes têm onde derramar suas lágrimas e serem consolados. Os felizes dividem seus “emotions” e até criam novos formatos de bichinhos a partir dos símbolos do teclado. Amantes, amados, frustrados até desalmados, não caberiam todos aqui. Nem o céu é o limite, a internet atravessou todas as fronteiras via satélite. “Ela é chique bem!”
Quanto à profissão a que muitos de nós nos dedicamos; que é escrever; podemos dizer que alguns estão com um pé cá e outro lá, correção, alguns ainda com lápis e papel em punho, outros com os dedos debruçados sobre o teclado. Madrugadas afora e madrugadas adentro, transladamos pelo mundo, vemos muitas coisas, pessoas e lugares. Temos pressa em registrar tudo, se não a inspiração passa e por ser nômade talvez, a próxima oportunidade não esteja tão próxima assim. Desse modo, descobri uma ineficiência do meu corpo. Digitando ou escrevendo, minhas idéias fluem em ritmo frenético e sigo registrando. Em dado momento retorno os olhos pelo que já foi escrito... Meu Deus que palavra é essa? De que língua? Erres, esses, sumiram. Pontos de interrogação se cansaram de esperar respostas. Exclamações foram exclamar não sei onde! Vírgulas resolveram rastejar por aí e os pontos finais desistiram de finalizar assuntos. O pior é o seqüestro de palavras inteiras afetando desastrosamente a idéia da frase. Constatei então, que minhas mãos não conseguiam acompanhar o ritmo do meu raciocínio. Que desastre! Faz-se necessário reler tudo, a não ser que não me importe de ser condenada por assassinar a gramática.
Mas por que, por mais que no esforcemos, nossas mãos e o cérebro não agem ao mesmo tempo? Percebe-se que o mesmo ocorre entre as operadoras de telefonia móvel e as mensagens de texto, esse fato é conhecido no meio como “delay”. É o tempo gasto pela mensagem entre sua origem e o seu destino, quase instantâneo bem como “online”. Contudo, a internet percorre o mundo mais rápido do que as minhas idéias percorrem o caminho entre o cérebro e minha mão. Fica lançado um apelo a todos aqueles que se identifiquem com essa mesma dificuldade, criem uma comunidade com o título “Minha mão é mais lenta escrevendo que o meu cérebro pensando”. Caso já exista, divulgue-a o máximo possível, afinal esse é um complexo de inferioridade que ninguém precisa. Claro que existe uma explicação biológica que justifique tal fato, pois se o nosso corpo é perfeitamente organizado, tudo funcionando com uma sincronia lógica! Alguns artigos científicos e ou jornalísticos citam que nós temos cerca de 100.000 pensamentos por dia. Fracionando para hora, chegamos ao resultado de 41.700 pensamentos aproximadamente, especificando ainda mais são 695 por minuto. São tantos que seria impossível memorizar todos, na verdade desenvolvemos uma seleção automática e terminamos guardando pouquíssimos. Isso explica certos comportamentos, quando os pensamentos se concentram em uma só direção, diríamos que essa personalidade é obsessiva. Caso a mudança de idéias aconteça com rapidez a chamaríamos de falta de personalidade. Imaginem se as nossas mãos realizassem as ações solicitadas através dos pensamentos ao nosso cérebro e este comandasse sua execução imediata com certeza o caos seria pouco! Sem que elas o acompanhem já provocamos catástrofes. Graças a Deus que não temos tudo como queremos, mas temos tudo do jeito que precisamos. Graças a Deus!

A 4ª IDADE

O mundo está evoluindo com rapidez tal, que nós, meros habitantes o acompanhamos sem perceber de imediato a causa de suas modificações e conseqüências. Meio ambiente, recursos renováveis, não renováveis, reciclagem, alianças políticas, acordos econômicos e guerras de ideais são assuntos que merecem ser discutidos. Mas nunca antes se deu tanta importância como agora aos maiores de 60 anos, ou idosos, como alguns costumam se referir a esse grupo, entendendo que existe vida após a aposentadoria, que esse não é o fim da capacidade produtiva. Bailes, excursões, atividades, cursos e até concursos para o grupo da maioridade ou a 3ª idade. Finalmente estão valorizando as experiências acumuladas por uma vida inteira. Bem vivida dentro do possível, da infância à maturidade.
Assim como somos compelidos a aceitar os avanços tecnológicos, também nos vemos forçados a rever nossos conceitos. Se o resultado foi benéfico ou não, só o tempo dirá. Mas buscando ser fiel a memória, lembramos quando a 1ª idade ou infância se estendia até os 17 anos, quando a inocência nos acompanhava desde as brincadeiras em grupo e crescíamos como amigos de infância dividindo o lanche da escola na hora do recreio, as seções de cinema, as festas de garagem. Amizade que compartilhava o primeiro beijo e o companheirismo que se fortalecia quando um coração era partido. Hoje, os grupos foram reduzidos a duplas, ou no máximo quadras, afinal o vídeo-game e o jogo via internet permitem vários participantes simultaneamente. Também a brincadeira, que ocupava todo o espaço de uma de rua, traz a rua para o limite de quatro paredes e quanto aos que eram colegas de turma o esquecimento levou para uma zona inexplorada do nosso cérebro. Aliás, havia turma?
Ou seja, nota-se que o conceito da 1ª idade já foi modificado. Damos entrada à 2ª idade que tem como objetivo principal capacitar o intelecto dos indivíduos para grandes escolhas que afetam suas vidas daí em diante. Faculdade, título, profissão, carreira que vai a partir dos 18 até o 50 anos aproximadamente. Certo? Não, claro que não, basta fazer um simples cálculo de subtração para percebermos uma pequena diferença de 7 anos, vestibular aos 9 não tem jeito! Na verdade, os objetivos é que foram antecipados. As crianças começam a definir seu futuro profissional no primário com aulas de informática, idiomas, esportes variados e outras atividades. Pré-adolescentes, nada inocentes conhecem mais do que imaginamos navegando por sites e conteúdos muitas vezes inapropriados. Qual a razão para essa pressão precoce? Será por que o mundo se tornou mais individualista, inseguro e competitivo? Ou os pais acresceram seus instintos de proteção?*
Quem sabe seja apenas uma leve adaptação à necessidade de sobrevivência no mundo de hoje. Currículos são selecionados por idade e não por experiência profissional na maioria das áreas. Recapitulando: a 1ª idade vai até os 8, 2ª dos 9 aos 17 e a 3ª a partir dos 60 anos. Nova diferença aparece para confundir o raciocínio. Levando adiante a seqüência etária em vigor, a 3ª idade começa aos 18 anos com a prova do vestibular, faculdade, título, profissão, carreira, caminho que foi preparado desde a etapa anterior e termina lá pelos cinqüenta e poucos. Fase dominada pela jovialidade, intelectualidade incluindo as diversões específicas para jovens. A opção para não ser excluído, é seguir a moda mesmo que ela não se encaixe bem às novas medidas do físico. Curtir as mesmas músicas mesmo que seja preciso acostumar-se ao barulho. Freqüentar eventos de multidões para não ficar sem assunto na segunda-feira e por vezes até a falta de ideais mais consistentes. E para onde foi o esperado sossego da antiga 3ª idade? Na 4ª idade, com aposentadoria por idade, netos cada vez menos infantis e adultos mais imaturos.
Ainda resta uma dúvida... As frutas que são amadurecidas quimicamente para diminuir o tempo de produção chegam ao mercado mais rápido, porém chegam sem gosto! Fato que todos podemos comprovar facilmente. Se esse é o preço que se paga, por não respeitar os ciclos da natureza, o mesmo pode acontecer às pessoas modernas, crianças-jovens e jovens-adultos que são amadurecidos intelectualmente antes do tempo, correm o risco de não ter o sabor emocional da maturidade? Os pais de idéias ultrapassadas se esmeravam por manter seus filhos o máximo possível na ingênua infância. Atualmente, os psicólogos amadores que são também conhecidos como pai e mãe, delegam aos filhos a responsabilidade do seu próprio futuro, cobrando resultados desde a pré-escola. O ensinamento moral foi transferido para as instituições de ensino, sendo que aos progenitores lhes cabe a difícil decisão de escolher o melhor que o dinheiro pode pagar.
Rever conceitos realmente é necessário, mas aonde vamos encaixar as serenatas? As tradicionais festas religiosas? E o folclore que conta nossa historia como povo? Os gibis são peças de colecionadores, os DVD’s que oferecem a opção do idioma dublado ocupam as estantes. Ao caminhar pelas calçadas dos bairros, não é preciso tomar cuidado com as crianças jogando bola. Mas é questão vital observar cuidadosamente o trânsito antes de atravessar, os carros passam em alta velocidade, pois seus condutores sabem que não há mais crianças brincando na rua. Domingo no parque é perigoso sem supervisão, mais fácil é poupar-se do fatigante trabalho e aderir ao domingo no shopping, faça chuva ou faça sol! Resultado final temporário do processo: antigamente se ansiava chegar a 3ª idade pela sensação do dever cumprido, que foi substituída pela insegurança da 4ª idade preocupada em ainda ter forças para cumprir o que ainda deve.