quinta-feira, 4 de junho de 2009

DÚVIDAS CRUÉIS

Quem nunca passou por momentos em que precisava tomar uma decisão por mais simples que fosse e não passou alguns instantes pensando no que fazer! São breves instantes, segundos, que por vezes daríamos a resposta automaticamente sem pensar e desta vez não foi bem assim. Tudo muda o tempo todo, não há nada que possamos manter como imutável neste nosso mundinho. Até mesmo o ato cotidiano de fazer as compras. Nas prateleiras dos supermercados em meio a tantos produtos, lançamentos, novas marcas... é preciso decidir entre comprar a oferta ou a marca com a qual já estamos acostumados. Provar um sabor desconhecido, uma “oferta” e se ele não nos atender teremos que incrementá-lo com outros temperos, gastando talvez o que economizou na oferta. Ou... não inovar, permanecer com a certeza do resultado de um sabor já conhecido.
Quando temos que ir a algum lugar, pensamos no trajeto que vamos percorrer entre a origem e o destino. Traçamos mentalmente o caminho, calculamos o tempo que vamos utilizar, a distância, o trânsito, retas, curvas, semáforos, desvios... Não esquecendo possíveis transtornos fora do nosso controle.
Situações aparentemente simples, mas que trazem entre os pensamentos entorno delas, traços de personalidade de quem está tomando essa decisão, de quem está passando por aquele momento, raciocinando sobre as atenuantes. Muitos são os fatores que nos influenciam nas decisões e também os resultados alcançados anteriormente, os paralelos são realizados como se fosse uma planilha de Excel em nossa mente. Racionalizamos do mínimo ao máximo risco sem saber ao certo, se dará certo. Vem junto a isso aquele famoso chavão “Oh! Dúvida cruel!”
Mas na verdade; sejam situações simples ou mais complicadas; cruel é a indecisão! A dúvida é parceira do questionamento. Todo esse exercício mental estimula nossa capacidade, nossa agilidade em tomar decisões. Atitudes raciocinadas e não mais reflexos instintivos ou condicionados, mas conduzidos por uma inteligência atuante. Esse hábito, o fato de pensar em nossos próprios atos é importantíssimo, é questão de sobrevivência para os dias de hoje, seja no desenvolvimento de tarefas domésticas ou empresariais, “pensar” faz de nós profissionais naquilo que fazemos.
Aquele que não aprende a decidir por si delega suas decisões a outrem, que por sua vez pertence a um outro mundo de atenuantes. Está sob outras influências e conseqüentemente tem outras expectativas. Se sua forma de conduzir for aceita, quem quer que a tenha aceitado terá que se conformar também com os resultados obtidos, sem reclamar ou revoltar-se por não ter atingido o que desejava. “Pensar” é também buscar o equilíbrio. Sempre estaremos entre o antigo e o novo, entre o rápido e o lento, entre o certo e o errado. Equilíbrio não significa o meio entre eles, como ser “moderninho”, ou “morno”, ou apenas “politicamente correto”. Equilíbrio é assumir um dos dois lados e estar de acordo com essa escolha e suas conseqüências. Temos que ser quente ou frio.
Entre tantas dúvidas mundanas como: “o que vestir”, “até quando esperar”, “o que dizer”... Há outros tipos de dúvidas. “Estamos realmente sendo amados?” “O que sentimos é mesmo amor?” “É só sexo?” “Quando estamos com alguém e pensamos em outra pessoa é traição?” “Ou traição só acontece quando realizada no plano físico?” “Sabemos quem somos?” “Será que somos verdadeiros? “Ou somos verdadeiramente uma mentira?” “Existe mesmo magia ou tudo é ilusionismo?” “O que é verdade?” Buscamos o equilíbrio nessa tênue linha entre o concreto e o abstrato, elaborando perguntas e buscando repostas nas experiências vividas ou observadas.
As respostas para as inúmeras dúvidas podem estar nos muitos conceitos dentro da química à psicologia. Analisando quimicamente a queima de um fósforo, percebemos que a combustão só acontece uma vez, ou seja, é irreversível. Dentro da psicologia, poderíamos que certas decisões também são nosso “fósforo queimado”, talvez esse seja o motivo das nossas dúvidas, a incerteza do resultado. Termos dúvidas não nos tornam seres fracos e indecisos, muitos pensadores as tiveram em suas mentes:
· “O ignorante afirma, o sábio dúvida, o sensato reflete.” (Aristóteles)
· “Uma vida não questionada não merece ser vivida.” (Platão)
· “A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula.” (Voltaire)
· “Posso duvidar da realidade de tudo, mas não da realidade da minha dúvida.” (André Gide)
· “É menos mau inquietar-se na dúvida do que descansar no erro.” (Alessandro Manzoni)
Há certas coisas na vida, que não se pode viver sem elas. A vida tornar-se-ia perigosa de ser vivida na medida da insensatez, da inconseqüência, do ilusório. Ainda que a dúvida nos ronde, é preferível ter dúvidas inteligentes que uma certeza burra.

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